Preso pela monotonia? Escape dela e capte mais.

O que o tédio pode ensinar sobre nós mesmos?

Com a missão de avançar dia-a-dia na captação de novos leads, atividade que em princípio nos deixaria tão ocupados que não perceberíamos o dia passar, será que também somos suscetíveis ao tédio?

Pode parecer estranho, mas mesmo dentro de profissões ou atividades que nos lembram intensidade e diversidade, como a de astronauta, existem relatos consistentes de rotina monótona. A realidade fantástica de orbitar a Terra e das caminhadas espaciais podem perder seu brilho mais rápido do que imaginamos.

Tendemos a pensar no tédio como uma resposta bastante direta e generalizada às atividades repetitivas. Afinal, é raro encontrar alguém que afirma gostar de lavar a louça ou limpar a casa todos os dias. Mas o tédio não é tão claro assim. Há uma quantidade surpreendente de variação em quanta monotonia cada pessoa pode suportar ou assimilar.

Para termos ideia, os psicólogos agora sabem que existem pelo menos quatro tipos de tédio:

 

1. Tédio de calibração: quando nós temos pensamentos imprecisos e livres e uma sensação de não saber o que fazer; a sensação de inquietude e busca de uma saída;

 

2. Tédio reativo: em que você se sente agressivo com aquilo que está te capturando, por exemplo, o lugar de trabalho, e fica ruminando sobre as coisas que preferiria estar fazendo;

 

3. Tédio indiferente: nos sentimos relaxados e separados do mundo ao redor;

 

4. Tédio apático: onde nós não nos sentimos nem bem nem mal, mas impotentes para escapar da monotonia.

Agora veja as coisas por um ângulo que vai te desafiar.

O que o sinal de tédio está realmente te dizendo? Já parou para pensar?

A ideia é que estamos de alguma forma falhando em interagir com o mundo - perdemos o controle do ambiente ao redor e não estamos sendo eficazes de mudar essa sintonia.

Como outras emoções negativas, a raiva ou a tristeza, é possível que o tédio tenha evoluído para nos motivar. Que nossa psiquê tenha desenvolvido ao longo dos milhares de anos de nossa evolução uma forma de aviso.

O que realmente queremos e procuramos intensamente é estar mental e efetivamente engajados. Queremos ser capazes de usar nossos recursos mentais e desenvolvidos ao longo do tempo para algo que consideramos significativo em nossa vida.

Assim o tédio pode ser uma resposta interior que nos lembra a procurar formas de reconexão.

Isso pode ajudar a explicar por que algumas pessoas conseguem lidar com anos sozinhas, enquanto outras estão preparadas para se eletrocutar após apenas 15 minutos de solidão. Certos ambientes oferecem a oportunidade de ficar entediado, mas apenas algumas pessoas se permitem. Reconhecemos aquela sensação familiar de inquietação e encontramos uma maneira de mudar as coisas, ou seja, injetar um novo senso de propósito ou significado.

A má notícia para quem se entedia facilmente, dizem alguns pesquisadores da área, é que esta característica tem sido associada a uma série de outros problemas, como comportamento impulsivo, abuso de substâncias, vício em jogos de azar, uso compulsivo de telefone celular e até depressão.

Aprender a lidar com o tédio de forma eficaz é encontrar novas motivações para antigas atividades e desenvolver novas ocupações. 

Da próxima vez que você lamentar o quão tediosa pode ser a vida, pense nas diferentes perspectivas e a experiência de ver com mais frequência a metade do copo cheio do que vazio.

Leandro Strasser, CFP®

Mestre em economia

(11) 93287-5441

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