Na Força da Raiva

Somos ensinados que a raiva nasce da agressão e é destrutiva. Mas será que - com moderação e da maneira certa - pode ser interessante usar a raiva a nosso favor?

 

Rosto vermelho, coração disparado, tendência a dizer palavras que era melhor não serem ditas. Sentimentos familiares para qualquer pessoa e que vez por outra chega até o relacionamento com nossos clientes ou prospects.

 

Sêneca, filósofo romano, descrevia a raiva como um caminho para a autodestruição - “muito como uma pedra em queda que se quebra sobre aquilo mesmo que esmaga”.

 

No entanto, não precisa ser assim. Embora a agressão aberta, física ou verbal, seja claramente uma força destrutiva, alguns estudos sugerem que a raiva e emoções relacionadas, como a frustração, a irritação e a indignação, também podem trazer algumas vantagens desde que saibamos como canalizar a energia que surge desses sentimentos.

 

Na verdade, muitos especialistas argumentam que dar um bom uso aos nossos sentimentos de raiva pode ser muito mais eficaz do que simplesmente suprimi-los. Sufocá-los pode ser muito exaustivo física e psicologicamente ou, em termos comerciais, uma relação que tenderá a deixar de ser frutífera em breve.

 

Então, quais são os benefícios de tentar canalizar esses sentimentos? Como podemos aproveitá-los a nosso favor?

Mobilização

A raiva é um tipo de emoção mobilizadora que nos ativa fisicamente. Ou seja, você pode usar essa ativação para servir a um objetivo físico que tenha. Diversos experimentos mostram que esportistas submetidos à raiva agiram de forma mais precisa e rápida, levando a maioria deles a aumentarem seu desempenho.

 

Claro, não estou dizendo que você precisa provocar uma briga com seu cliente para ir lá na academia e arrebentar no treino. Não é isso. Mas se algo estressante acontecer, um bom jeito de aproveitar a situação é fisicamente. 

 

Se as visões tradicionais da raiva fossem verdadeiras, você esperaria que o sentimento de frustração, após uma falta flagrante ou desprezo do oponente, por exemplo, destruiria a capacidade de precisão, mas o exato oposto é verdadeiro. Jogadores de basquete têm maior probabilidade de marcar após uma falta, em comparação com outros lances livres que não surgiram em circunstâncias tão frustrantes. O senso de injustiça aguçou a determinação do atleta e impulsionou seu desempenho.

 

A chama da persistência e criatividade

Fora do campo esportivo, a raiva pode melhorar a persistência e a perseverança nos desafios mentais.

 

Imagine que você esteja lutando para desenvolver uma boa campanha de estímulo à geração de novos leads. Com dificuldades de encaixar todos os interesses envolvidos você se sente frustrado pelo revés.

 

Bem, esse é exatamente o ponto. O que parece impossível atua de forma diferente em cada um de nós. Algumas pessoas ficam ansiosas após tentativas e falhas, algumas ficam tristes e outras completamente indiferentes. Infelizmente, em média, nenhuma delas aproveitará a energia da frustração.

 

São as pessoas mais indignadas, segundo estudos, as mais persistentes ao longo das tarefas desafiadoras. Em vez de fazer com que desistam, o aborrecimento as energiza, as enche de garra para enfrentar o obstáculo.

 

A explosão interna de raiva desencadeia também uma maior criatividade. Pessoas que demonstram mais indignação ou irritação apresentam soluções mais originais e variadas, em comparação com aquelas que se sentem mais seguidamente frustradas ou emocionalmente neutras. O aumento da excitação parece sobrecarregar a mente, permitindo que elas desenhem conexões que não estão disponíveis em outros estados emocionais.

 

A energia criativa destas situações parece se esgotar rapidamente, mas vale a pena considerar esses benefícios sempre que você enfrentar um obstáculo irritante no trabalho como consultor ou assessor financeiro. Quer seja um feedback injusto de clientes ou prospects ou uma falha técnica imprevista, os sentimentos desagradáveis ​​de frustração podem apenas inspirar o avanço.

Leandro Strasser, CFP®

Mestre em economia

(11) 93287-5441

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