Com juros em dois dígitos, é hora dos fundos de crédito? Wealth Managers avaliam

A Citywire perguntou aos wealth managers quais são as oportunidades e riscos nas alocações em crédito no momento e Alexandre Brito, nosso sócio e gestor respondeu suas visões sobre essa classe de ativo.


1.Com o ciclo de alta na taxa de juros vocês tem aumentado a alocação em fundos de crédito? Acreditam que há oportunidade nessa classe?


Temos preferido alocações diretamente nos papéis de renda fixa, especialmente com o achatamento dos spreads (tanto para títulos corporativos, quanto bancários). Em casos pontuais, de acordo com a estratégia para a carteira, temos alocações em FIDCs de gestores especializados, com o objetivo de capturar uma parcela de high yield - porém limitamos a exposição global a uma parcela confortável pelo maior risco de crédito. Acreditamos que há oportunidade de alocação em títulos pós-fixados, especialmente com o CDI voltando a duplo dígito, porém mantemos a estratégia de papéis pré-fixados e atrelados a inflação. Sabemos que no curto prazo a volatilidade pela curva de juros pode assustar, mas, se bem desenhado, é uma boa alocação quando se olha o carrego do papel. Para os títulos pré-fixados, vemos um prêmio interessante pela inflação implícita acima das projeções dos economistas.

2. Quais as classes de crédito que vocês têm preferido e por quê?


Pela elevação significativa nos juros, damos preferência aos papéis high grade e/ou emissões bancárias, ainda mais pelo estreitamento dos spreads. Não vemos o prêmio atual pelo risco de crédito compensando a alocação. Como mencionei, em algumas estratégias, alocamos a parcela de high yield em FIDCs de gestores especializados. Nas posições pré-fixadas e atreladas à inflação, damos ainda mais preferência às emissões bancárias e aos títulos soberanos.


3. Em uma economia em crise e com altos juros há sempre a preocupação com inadimplência. Quais são os maiores os riscos que vocês pontuam nessa classe de ativos no momento?


Nos emissores high grades que cobrimos, vemos um contexto de endividamento e alavancagem bastante confortáveis. Não nos preocupa, no momento, o risco de crédito nas maiores companhias. Quando olhamos alguns papéis de maior risco, por outro lado, entendemos que o prêmio no spread não compensa o risco de crédito - ainda mais pelas incertezas a frente.



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