A estratégia de 4 milionários da bolsa

No último ano e meio, a bolsa foi uma opção desastrosa para milhares investidores. Mas acredite: muita gente já ficou rica no mercado acionário brasileiro


São Paulo – Os novatos da bolsa ou aqueles que perderam dinheiro no último ano e meio mal conseguem se lembrar de que muita gente já fez fortuna no mercado acionário brasileiro. A bolsa veio de um desempenho pífio em 2010 para um flerte com o desastre neste ano – tragédia essa que ainda não pode ser descartada, principalmente se os países europeus não encontrarem logo uma solução para as pesadas dívidas. De acordo com a própria BM&FBovespa, a performance ruim das ações tem afastado os investidores do mercado, com a queda no número de pessoas físicas cadastradas nos últimos meses.

Quem já investe há muitos anos, entretanto, sabe que é possível ganhar muito dinheiro na bolsa, principalmente em momentos ruins do mercado e desde que haja uma estratégia de investimento coerente por trás das escolhas. A seguir, EXAME.com apresenta quatro histórias inspiradoras de pessoas que ficaram milionárias com ações. Todos têm hoje mais de 60 anos, investem desde a década de 1970, sobreviveram a dezenas de crises e ascenderam socialmente por meio da bolsa. As histórias foram relatadas por Geraldo Soares, superintendente de relações com investidores do Itaú e coautor do livro “Casos de Sucesso no Mercado de Ações”, que será tema de palestra na Expo Money São Paulo nesta semana.

O garimpeiro

Médico e militar, o disciplinado Samuel Emery, de Recife, é um investidor fundamentalista clássico. Especializado em ações de segunda linha, ele é uma espécie de garimpeiro do mercado e nunca toma decisões precipitadas, com bases em rumores. Antes de comprar qualquer ação, estuda uma empresa a fundo e adquire um enorme nível de conhecimento que lhe dá vantagens sobre outros investidores. Quando encontra uma empresa que passa em seu filtro, o passo seguinte é aguardar um bom ponto de compra do papel, aproveitando-se dos momentos de cotações deprimidas. Emery monta sua carteira e espera que o mercado descubra o valor do papel – ainda que isso demore vários anos.

O método é o mais parecido com o de investidores profissionais. Não por acaso, Emery também é sócio de uma gestora de recursos, a Finacap, uma das maiores do Nordeste. Os fundos da Finacap acumulam uma rentabilidade anual de 21% nas últimas duas décadas. Entre seus gols de placa, está a compra das ações da Ferbasa há cerca de dez anos e da Magnesita há mais de cinco anos. Comprar papéis antes que eles virem a bola da vez pode ser uma estratégia bastante lucrativa. Com a Ferbasa, Emery só realizou o lucro após ver a cotação do papel sextuplicar em suas mãos. “Para quem acha que comprar ações de segunda linha envolve riscos demais, o Emery costuma dizer que investir em bolsa é menos arriscado do que abrir uma padaria”, diz o autor Geraldo Soares.


Fonte: Exame (Por João Sandrini 29 nov 2011, 19h26)