Data: 18/08/2008

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VIVEMOS UM PARADOXO

 

Influenciada principalmente pelo cenário externo a bolsa de valores teve esse mês uma redução de 8,48% e acumula no ano uma desvalorização de 6,86%. Continuam as ameaças das hipotecas americanas, da inflação pelo mundo, das cotações do petróleo, das commodities, do dólar, entre resultados de empresas não tão favoráveis. Entretanto, gostaríamos de chamar a realidade de nossa economia como ponto de reflexão para mostrar a irracionalidade dos mercados em destaque o nosso.

Foi publicado no mês passado no Financial Times, sob o titulo de “Surfando em grande onda de confiança”, em seu caderno especial seis páginas a respeito do Brasil, mostrando os avanços econômicos, políticos, e sociais obtidos nos últimos anos, numa série de reportagens. Faz, no entanto, o alerta de que a transformação não está completa.

Com efeito, o jornal destaca que o Brasil desfruta de posição singular, no exato instante em que a demanda por alimentos no mundo cresce e força todos os indicadores de inflação do mundo global. E não é só isso, além de ser um dos maiores produtores agrícolas e crescendo a produtividade, o País lidera a produção de etanol a partir de cana-de-açucar e está se tornando um líder na produção automotiva, ainda que no mundo as empresas estejam passando por problemas recentes. Mais ainda, temos uma pauta bastante diversificada de exportações e tomadores finais também diversificados.

Segundo o FT, “não é exagero dizer que o Brasil está à beira do status de superpotência”. No campo social destaca o programa Bolsa Família iniciado no governo FH e ampliado fortemente no governo Lula, ao ponto de trazer para o mercado de consumo ¼ dos 190 milhões de brasileiros. O governo FH teve o mérito de domar a inflação, o maior mal para os brasileiros pobres, reconhecer os esqueletos estaduais e negociar porta de saída, situação à época criticada pelos partido dos trabalhadores.

Com o PT no comando do governo, o presidente Lula mudou sua postura, endossando políticas do governo anterior, principalmente no combate à inflação com metas  anteriores e austeridade econômica (agora começa um pouco a ser abandonada nos gastos públicos excessivos). A manutenção das políticas pelos últimos 15 anos foi o que tornou tudo isso possível. Até então, cada governo que ascendia ao poder vinha com fórmulas mirabolantes que modificavam políticas anteriores e quase todas levavam ao inevitável retrocesso.

É certo que nem tudo são flores. Nossa infra-estrutura é extremamente confusa, a saúde pública beira o caos e a educação é inadequada para um país que almeja ser potência desenvolvida. Sem falar na urgente e necessária Reforma da Previdência, e do tamanho do Estado e do setor público como outros obstáculos a serem ultrapassados. Entretanto, também é certo que nossas condições atuais são bem diferentes e que não somos mais a porta de saída como fomos em outras oportunidades.

Continuamos a nos posicionar que a bolsa atualmente apresenta ações depreciadas e com boas perspectivas para o ano em curso. Assim, o momento pode ser oportuno para compras, principalmente para aqueles investidores que trabalham com perspectiva de retorno de mais longo prazo.